domingo, 17 de julho de 2011


 Meu querido Chris
 eu tentei. Tentei de tudo, te juro! Mas como sempre, tentei tarde demais. 
Fui uma tola. Neguei o óbvio. Tive a chance de mudar tudo e a joguei fora, como quem joga algo precioso no lixo – por pura ignorância – e depois se arrepende. Agora a minha chance de mudar tudo está à milhas de distância, está inatingível. Completamente inatingível, assim como você. Tudo está nublado, cinza.

 Ah, cinza. Os seus olhos.
 Me lembro perfeitamente do jeito como você costumava me fitar. Sem expressão definida. Eu nunca conseguia decifrar o seu olhar, mas você sempre decifrava o meu. Por mais que eu tentasse, nunca consegui ser um enigma para você, embora você fosse um total mistério para mim. E mesmo assim, mesmo sem conseguir ler o seu olhar, eu gostava de olhá-lo nos olhos. O mistério do cinza dos teus olhos não era intimidador para mim, e sim convidativo. Gostava de fitá-lo só por fitar, sem muita explicação; só por gostar da sensação que aquilo me trazia: me trazia conforto, sempre trouxe. 
 E me lembro do modo como você odiava sorrir para fotos: era justamente por isso que eu gostava tanto do seu sorriso. Eu ainda consigo te escutar rindo, mas o som parece cada vez mais longe, como se você estivesse me escapando. Eu tento fazer com que não vá embora, mas é como tentar segurar fumaça com as mãos.
 E então veio a escolha que poderia mudar tudo, e a decisão errada...
- Ei, Lis, é sério. Preciso ir embora, e não voltarei... por algum tempo.
- Você não está falando sério, Chris. 
Nós caminhávamos pelo campo de mãos dadas. Havia cheiro de rosas no ar. Tudo parecia bem.
- Nunca falei tão sério na minha vida – você respondeu, se virando para mim e soltando a minha mão – preciso que entenda, porque eu não quero te deixar...
- Nem eu quero que me deixe! Ei, preciso de você. Sabe que é o meu melhor amigo. 
Lembro-me que você mudou o peso de um pé para o outro, desconfortável. 
- Não poderemos nos comunicar quando eu for embora – você murmurou – nada de internet, telefones ou cartas. 
Eu não achava que você estivesse falando sério.
- Certo, mas você voltará?
- Um dia, talvez. Por você.
- Então pode ir, Sr. Misterioso. Contanto que volte. Estarei esperando. 
Você colocou as mãos nos meus ombros e me encarou com seus olhos cinzas. Não consegui ler sua expressão, como sempre. 
- Eu te amo, Lisa.
Eu ri.
- Eu também te amo, seu bobo. Você me abraçou, e pela primeira vez, senti medo de que estivesse falando sério. Enquanto tu afagava meus cabelos, desejei que não me soltasse nunca. Eu poderia te abraçar para sempre e não seria o suficiente.  E então você fez algo que me deixou confusa por muito tempo: me beijou de leve nos lábios. Pela primeira vez; mas não última, eu esperava. Depois disso foi embora, e aqui estou eu, tanto tempo depois. Você ainda não voltou.
 Tudo que eu tenho agora são saudades e um gosto de arrependimento na boca. Deveria ter dito para você ficar, mas fui tola demais para isso. 
 Sinto falta do seu olhar, do seu sorriso, do seu cheiro, de como você sempre me protegia, dos seus abraços e, acima de tudo, sinto falta de mim mesma. Porque a Lisa que você deixou não é a mesma que está aqui, agora. Esta é mais amargurada, arrependida por atos não realizados e sem esperanças.
 Ainda estou esperando você, Chris. Sempre estarei. Volte logo.
Com muito amor,
sua Lis. 

9 comentários:

  1. Gostei muito do texto!
    é duro perceber e agir tarde de mais, não é mesmo? :(
    Muito bem escrito, parabéns :)

    Beijos,

    Gabi
    Mundo Platônico
    http://gabiiem.blogspot.com/

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  2. haa é lindo. mais é triste ao mesmo tempo.. belas palavras..
    é horrivel nao poder fazer nada..

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  3. tão bonito o seu jeitinho de mencionar o amor *.*

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  4. As coisas acontecem em seus momentos, mas tem certos momentos que a gente não gostaria que acontecessem. Adorei :)

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  5. Oii estou te seguindo!
    Ficarei muito feliz se vc visitar o meu blog e me seguir tb :)
    Bjs

    http://conversadeblogueiro.blogspot.com

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  6. E nada melhor que um aconchego da presença. O amor poderia estar sempre perto e a dor não tivesse passagem pra vir. E mesmo que em tortas linhas nos vemos arriscados, lá estará nós... esperando, com o coração a ser entregue. Momentos também são despedidas. Mais algumas pessoas sempre tendem a voltar, se realmente forem nosso. Sua história é a qual conseguimos imaginar cada detalhe. Lisa sobre um rosto de sensibilidade e entre suas palavras também. Belo texto!

    Lindo seu blog chará. Fiquei muito feliz com sua visita lá no blog. Voltarei sempre! E continue com as palavras, onde te cabe sensibilidade e uma ótima escrita. Parabéns!
    Beijo, e um abraço gigantesco, Ana.

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  7. Ah! Eu sorri. Já me chamou a atenção o seu blog, pelo nome e pelo "sorria por você". Agora que li o texto... Muito lindo, mesmo. É assim, quem ama, ama pra sempre, espera pra sempre.

    Sério, adorei essas águas vivas no layout KKK Acho que vou voltar aqui muitas vezes. :D
    Beijos.

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  8. invelizmente a vida é assim , nem sempre conseguimos tudo o que queremos , sempre arrependemos das coisa , mas no fundo é por isso que a vida é interessante , e o amor , sem amor nao somos nada
    seguindo aqui , bjos :*
    http://cafecomversosavulsos.blogspot.com/

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  9. texto intenso, gostei muito do blog, adorei o nome. que ele volte para Lis. (:

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